É feito de cedências.
É feito de partilhas.
É feito de carinhos tardios.
Vou repetir, nunca te esqueças, que és a melhor mãe que o teu filho pode ter.
Acredita.
Só tu é que sabes o que é melhor para ele.
Quando tu nasceste deixei de ser filho único. Passei a dividir o meu espaço contigo. E muita coisa mudou com a tua chegada.
Nasceste há 6 anos de cesariana. Quando te conheci, não consegui tocar-te. Não consegui segurar-te. Foste encostado à minha face, por um breve momento e imediatamente paraste de chorar. Naquele momento, o mundo parou e disse-te ao ouvido “A Mamã está aqui. Não chores mais pf. Tudo vai ficar bem”.
Quando o Duarte nasceu, fui invadida por uma onda de sentimentos. O que tinha imaginado anteriormente não aconteceu. Senti-me sozinha, completamente perdida.
Todas são mulheres. Todas são mães. Todas são diferentes. Não há dois corpos iguais. Não há partos iguais. Não há um puerpério igual a outro. Não há uma única maneira certa ou perfeita de dar à luz. Quer tenha sido por cesariana ou parto normal, o nosso corpo muda.
E quando alguma coisa não corre de forma “normal” nasce uma angústia, um desânimo e uma grande aflição.
A normalidade que nos rodeia todos os dias é tão importante, que por vezes nem reparámos nela, nem lhe damos o devido valor. Há uns anos aprendi o quanto é fundamental a normalidade para viver.
Foram estes piolhos que fizeram o maior rebuliço na minha vida e que me mostraram que todas as mudanças, todas as cedências e todas as loucuras valem muito a pena.
Segui o conselho e fui a todas as aulas de preparação para o parto. Li e passei horas a pesquisar sobre a maternidade. Deixei de comer algumas coisas por ti. Fiz muitas mudanças por nós.


